Fernand Alphen. Sugiro abolir a palavra mídia, o que acham?

Em tempos de fragmentaçao dos meios; veículos noticiosos, veículos noticiosos de esporte, de culinária, de automóveis, de gatos siameses, veículos técnicos, veículos técnicos de esporte, culinária, automóveis, gatos siameses, veículos de fofoca, veículos de fofoca esportiva, gastronômica, automotiva, felina do Siao; que sentido faz classificá-los ainda pelos seus dispositivos de recepçao – Revista, Jornal, Rádio, TV, Internet?

Em tempos de convergência dos meios; rádios que estao nas ondas e na internet e na TV, jornais que estao no papel e nos bits e na TV, revistas que estao em todos os lugares e blogs que viram programa de televisao que viram programas de rádio, propagandas que viram filme que viram game que viram blogs que viram sites de jornalismo colaborativo que viram livro; que sentido faz classificá-los ainda pelos seus dispositivos de recepçao: Revista, Jornal, Rádio, TV, Internet?

Sempre que nos perguntamos “para onde vai nossa verba”, é uma simplificaçao preguiçosa dividir os investimentos da forma que fazemos.

Mesmo que a gente raciocine em termos de “atitude” do receptor diante da mensagem, TV – anestesiado; Internet – excitado; Jornal – desperto; Revista – sintético; ainda assim o raciocínio é no mínimo raso porque quem garante que a TV nao pode excitar, investigar, opinar? Ou a Internet hipnotizar, adormecer, manipular?  

Da mesma forma, nao significa mais nada dividir o bolo publicitário em tipos de mídia, assim como nao significa mais nada falar em verbas de comunicaçao por meio, ou discutir se agências de propaganda devem ser especializadas nessa ou naquela plataforma de comunicaçao. Soa quase ridículo dizer que um redator é melhor em ‘offline’ e idiota em ‘online’, um planejador que manja tudo de internet e nada de experiência de marca, um mídia que sabe fazer ‘x’ e incapaz de programar palavras chave ou contratar blogueiros. E se nao é ridículo, é no mínimo, um mínimo inaceitável hoje.

Um veículo de comunicaçao nao limita mais sua atuaçao ou se o faz, é uma opçao poética. Dizer que O Globo é só papel é ofensa grave, gravíssima. Dizer que a Rede Globo é um entretenimento de sofá, idem. Um anunciante nao é um anunciante de TV ou de Jornal. Uma agência – ainda que persistam as irritantes separaçoes de disciplinas – nao pode ser uma coisa tao pequena, terra de especialistas bitolados e caretas.

Porque um veículo de comunicaçao é uma marca antes de ser uma mídia. Um anunciante, idem. Uma agência, várias. Porque um veículo de comunicaçao é um conteúdo antes de ser uma mídia. Um anunciante, idem. Uma agência, vários.

Vamos fazer planos de mídia por marca e por conteúdo. Vamos trabalhar os conteúdos das marcas e nao esse onanismo metafórico que consiste em inventar atributos emocionais e posicionamentos que mais parecem xavecos desastrados.

Vamos criar idéias e nao filmes, anúncios, banners ou eventos. E vamos também desistir de vez em chamar as pessoas de consumidores. Que palavrao!

Fernand Alphen é diretor de planejamento da F Nazca

 

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